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13 de novembro de 2018

Análise: Teleton Brasil 2018

Logo do Teleton Brasil 2018

Introdução

Estou de volta com a análise de mais uma edição da maratona televisiva beneficente em prol à Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), promovida pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e transmitido pela TV Cultura e canais do SBT na plataforma de videos da Google, o YouTube. Desta vez será falado da 21ª edição, promovida entre os dias 9 e 10 de Novembro de 2018.

Já fiz um artigo analisando a edição de 2015 da maratona, que traz outros detalhes e todo o contexto histórico desta campanha. Não deixe de dar uma olhada clicando aqui.

Cenário e Pacote Gráfico

Basicamente o cenário mantém o mesmo formato adotado em 2015, mas com vários refinamentos e diferenças em relação aos 3 anos anteriores. Como pode ser visto abaixo, os triângulos oriundo do atual logotipo da AACD (e que um dia já foi do Teleton, mais precisamente entre 2012 e 2013) que permeavam o cenário e as telas dos parceiros foram substituídos por linhas entrelaçadas que simulam uma rede e as telas (incluindo o telão principal) perderam suas molduras e adereços e ficaram dispostos no cenário de forma simplificada.



Outro elemento que recebeu modificações relevantes foi a bancada digital e, sobretudo, o espaço onde é exibido a arrecadação. Toda a bancada recebeu uma projeção, o que, em determinados momentos, permitiu que o contador não fosse exibido em prol de uma novidade introduzida nesta edição: um medidor em formato de boneco, apelidado de Max, que seria preenchido com cor amarela à medida que a meta estivesse próxima de ser atingida e que também poderia ser acompanhada pela internet (onde era atualizado com mais frequência).
Boneco Max, que aparecia esporadicamente no telão e no GC, mas que também podia ser acompanhado pela internet.

Deu até a impressão, no início do programa, que a intenção era que o boneco substituísse o contador, mas, provavelmente o estranhamento do público manifestado nas redes sociais fez com que a produção voltasse atrás e o contador voltou a ser exibido, ainda na madrugada de sexta para sábado, para não sair mais.
A bancada era preenchida totalmente por projeção, com o valor arrecadado exibido no meio.

O GC permaneceu com o mesmo formato do ano anterior, com uma diferença aparente: o logo do teleton ficou na vertical e não na horizontal, como vinha sendo desde 2014.
Acima, o GC da edição de 2017; abaixo, da edição de 2018. Repare na posição do logo e no padrão disposto nos dizeres "Para doar 5 reais".

E as eyecatchs de intervalo comercial foram bastante sóbrias mas impactante, diferente das edições anteriores (pelo menos desde 2015) que promoviam a música tema.

Abertura

Considerando que a edição de 2018 teve a infelicidade de concorrer justamente com o último capítulo da Novela das 9 da Rede Globo de Televisão, Segundo Sol, deu-se até a impressão que o início do programa se daria após o encerramento do folhetim, mas, diferente de 2017 (onde foi anunciado às 10:15 da noite mas começou somente 35 minutos depois), a maratona começou precisamente "às 10 em ponto". (indo em consonância com as chamadas narradas pelo locutor oficial do SBT, Carlos Roberto "Bem-te-vi" Lazarin).

Já consciente que, dificilmente haveria uma abertura oficial feita pelo empresário e apresentador Silvio Santos (que foi tradicional até 2014), a produção inovou com a realização de um flashmob com o elenco da novela infantil da emissora, As Aventuras de Poliana, folhetim aliás, exibido previamente), fazendo uma transição coesa e impactante para o início do programa, já com a apresentadora e atual Padrinha da campanha, Eliana Michaelichen, e o cantor Daniel, padrinho veterano (presente desde a 1ª edição), no palco.

Danilo Gentili

Ainda nas primeiras horas da maratona, o apresentador do talk show The Noite e comediante do gênero stand-up, fez sua participação, já permeado pela militância firme feita durante as Eleições Gerais de 2018, o que acabou respingando na campanha beneficente (como poderá ser visto ao longo do artigo).
No Twitter, como pode ser visto no post acima, ele repudiou certos setores da sociedade que pretendiam fazer um boicote ao Teleton, algo inédito e estarrecedor na história de toda a maratona.

Além disso, ele protagonizou uma saia justa durante uma interação no palco, ao não ser bem interpretado em uma piada sobre vírus, onde o interlocutor não reagiu como esperado à pergunta, ficando triste, faltando jogo de cintura na ocasião.

Raul Gil

Já no início da tarde de sábado, o apresentador do programa que leva seu nome, durante sua participação, causou uma cena polêmica ao elogiar o presidente eleito Jair Bolsonaro e criticar seus opositores, o que, segundo espectadores, gerou um clima tenso, agravado pela atitude da apresentadora e atriz Maísa Silva, que interrompeu as falas do seu antigo mentor para voltar ao foco da campanha, supostamente descontente com a atitude política. Com isso, a passagem de Raul Gil, que estava prevista em 55 minutos, se transformou em somente meia hora, e ele deixou o palco visivelmente contrariado, expressando seu descontentamento em sua fala de despedida.

A cena controversa rendeu ao ponto de Danilo Gentili gravar um vídeo e publicar em seu canal no YT defendendo a Maísa e criticando a imprensa por aumentar demais o assunto.


Celso Portiolli

Por volta das 8 da noite de sábado, o apresentador do Domingo Legal apareceu no palco e marcou presença na maratona. Seria apenas mais uma apresentação de muitas que Portiolli já fez na Maratona se não fosse por um detalhe: na quinta-feira anterior ao Teleton (8 de novembro), ele protagonizou uma polêmica no Twitter discutindo com seguidores por causa de uma postagem feita por ele relacionada à mais de 7 filmetes comerciais que estavam sendo veiculados pelo SBT desde a terça-feira (6), supostamente a mando de Silvio Santos, onde uma delas utilizava uma frase que remetia à Ditadura Militar (1964-1985), "Brasil: Ame-o ou Deixe-o", que gerou uma série de críticas à emissora, forçando-a a se pronunciar e remover a chamada com a frase citada. Portiolli, por sua vez, foi orientado pela emissora a remover as publicações polêmicas.

No mais, dentre outros destaques, ele recebeu o publicitário Felipe Ventura (o famoso "Felipinho", que participa da maratona desde 1999 e líder da campanha Corrente do Bem, que presta palestras e arrecada moedas por escolas e empresas de todo o Brasil) e o Coral Vocal Brothers, da Igreja Adventista do Sétimo Dia (liderada por Itamar Oliveira, fazendo presença já há muitos anos) que, tradicionalmente, sempre eram recebidos por Silvio Santos mais ao final do programa.


Desde 2015, Felipe Ventura faz presença mais cedo na campanha, sendo recebido ou por Eliana ou pelo Portiolli. Na edição de 2018, ele estava na bancada dos influenciadores digitais e permaneceu por algum tempo lá mesmo após sua participação.

Patrícia e Rebeca Abravanel

Em seguida, por volta das 8:30 da noite, a apresentadora e "filha Nº 4" do Patrão, Patrícia Abravanel, entrou no palco para sua participação, onde Eliana já estava novamente no palco. Grávida do terceiro filho (vale ressaltar que na edição anterior, ela também estava grávida e protagonizou uma queda causada pelo convidado Hugo Gloss, gerando tensão no palco, inclusive pela própria Eliana, que não reagiu na ocasião), ao longo de suas interações, quando o ator Henri Castelli, devidamente liderado pela Globo, adentrou o palco, ao saber que ele estava solteiro, Patrícia começou a "empurrá-lo" à sua irmã, Rebeca Abravanel ("filha Nº 5"), que também estava solteira na ocasião, e o momento rendeu, gerando comoção entre os artistas e também na internet, ainda mais após Rebeca entrar no palco, gerando momentos hilários e marcantes, sendo um dos pontos altos da atração.


E a interação entre a apresentadora e o ator não ficou só no palco. Logo após o fim da maratona, ambos começaram a se seguir na rede social Instagram, gerando mais especulações e notícias na imprensa, prometendo novos capítulos. Quaisquer novidades, esta seção será atualizada.

Casamento Inédito

Ainda na noite de sexta-feira, a apresentadora Eliana recebeu o casal Pedro e Marcela, sendo que o primeiro sofreu um acidente e ficou paraplégico, cuja história emocionou o público e os artistas, ao ponto de Eliana propor que o casal fizesse um casamento simbólico no palco, a mando da equipe do programa Fábrica de Casamentos, liderada por Chris Flores e Carlos Bertolazzi, cujo convite foi prontamente aceito pelo casal onde, às 10 da noite do dia seguinte (sim, com menos de 24 horas para aprontar tudo), a cerimônia foi realizada, gerando um momento histórico para a maratona (primeiro casamento feito no Teleton) e emocionante para os artistas e o público.


Silvio Santos

Logo após o casamento, por volta das 10:15 da noite, o animador finalmente entrou no palco, sem prévio aviso (como de costume), para o encerramento. Logo de cara, ele encontra Patrícia e o casal Pedro e Marcela posicionados no palco (tinha acabado de voltar do comercial), cumprimenta-os e rapidamente entrevista os dois, com direito à perguntas indiscretas que geraram certa repercussão. Não demorou muito e ele dispensou os três, como já vem sendo característico por parte dele desde 2012, quando a então Padrinha e percursora da maratona no Brasil, a saudosa apresentadora Hebe Camargo, faleceu.


Em seguida, ele leu uma mensagem motivacional, feito a pedido dele por Itamar Martins (do Coral Vocal Brothers), algo já tradicional há muitos anos.
Repercussão da mensagem lida por Silvio Santos, no Twitter.

Logo depois veio um dos momentos mais controversos da maratona: a ligação do presidente eleito Jair Bolsonaro, a pedido da produção, onde o apresentador prontamente atendeu, fazendo elogios parciais, profetizando 8 anos dele e mais 8 do juiz e futuro Ministro da Justiça, o magistrado Sérgio Moro, e incentivando a doação dele sem que o valor fosse revelado. O momento repercutiu muito, ofuscando até mesmo a cena protagonizada por Raul Gil mais cedo.


Depois, deu-se início à participação de artistas convidados pela produção a pedido de Silvio, que já fizeram presença no programa dele ao longo do último ano, como já vem sendo comum desde 2016, gerando momentos divertidos e inesperados, além de algum entretenimento ao telespectador. O destaque foi para a ilusionista Jhenny, que já havia participado da maratona na edição anterior, gerando uma boa interação com o animador e garantindo um bom show.

Outro momento bastante polêmico foi a participação da cantora Cláudia Leitte na maratona. Ao tentar abraçar Silvio Santos, ele se esquivou dizendo frases indelicadas (que já vem sendo recorrentes nos últimos anos, como com a cantora Anitta, no Teleton de 2016 e as artistas Preta Gil e Fernanda Lima em seu programa). A cantora se sentiu visivelmente abalada pela atitude do animador e uma série de críticas foram feitas pelos seguidores da cantora, por internautas e artistas que se sensibilizaram pela cena (de fato, foi indiscutivelmente lamentável, ainda que eu entenda o Silvio Santos ser alérgico à perfumes e evite ao máximo abraços onde, achando que estava sendo engraçado, acabou é sendo inconveniente e grosseiro - mas Gentili, por sua vez, foi um dos artistas que defendeu o Patrão).
Aliás, um registro do jornalista Ricardo Souza, a mando do portal Notícias da TV, registrou fotos controversas, que mostram um Silvio Santos sério e desinteressado pela apresentação da cantora baiana.

Mais tarde, próximo do encerramento, foi realizado o Telebingoton (sorteio promovido pela Jequiti Cosméticos, empresa do Patrão, visando alavancar as doações, engajar os telespectadores e dar prêmios - iniciativa semelhante a que foi feita na edição de 2016). Par tal, ele chamou as filhas Silvia, Patrícia e Rebeca Abravanel, além da própria esposa, a autora de novelas Íris Abravanel (ela, aliás, expressou sua contrariedade em participar da atração) para rodar as gôndolas com as bolas para o sorteio. Além disso, o apresentador alfinetou a produção e a direção mais de uma vez por causa do regulamento do jogo, afirmando que as cartelas deveriam estar disponíveis mesmo após o sorteio (gerando um momento constrangedor, agindo como um chefe puro, mandando resolver a situação em 30 minutos, o que, na prática, não foi atendido).

E durante o sorteio do bingo, Silvio finalmente resolve chamar a "Tropa de Cheques", gerando aquelas interações de entusiasta curioso e interessado em esmiuçar os detalhes de cada empresa. Surpreendentemente, a Hipercard, que sempre doou cheques expressivos, anunciou uma contribuição menos expressiva que o último cheque, do BB Seguros (até gerou uma apreensão por parte de Patrícia, com receio de que a meta não fosse atendida, sendo repreendida pelo pai), que, num momento anticlimático (já comum há algumas edições por parte do apresentador), declarou a meta atingida, para a festa da família no palco, da plateia e do público que acompanhou com expectativa o momento.


Considerando que, no ano anterior, o animador tinha pressa em encerrar à maratona às meia-noite em ponto, independente do valor arrecadado, para exibir um especial fruto de uma ação de marketing premiada, promovida pela Netflix, este ano não foi muito diferente. Apesar de não haver nada do gênero e, portanto, sem obrigação de acabar muito cedo em relação a anos anteriores, mas com um Silvio Santos cada vez mais impaciente a cada ano que passa, ele encerrou a maratona por volta das 0:20, com direito a uma declaração surpreendente, colocando-se à disposição da Globo para ajudar na realização da campanha Criança Esperança.


O portal Notícias da TV, provavelmente registrado por Rick Souza, divulgou um discurso pós-encerramento do animador antes dele sair do palco.


Outras Curiosidades

A música tema, "Eu Quero Apenas", do cantor Roberto Carlos, foi devidamente liberada pela gravadora, e foi um dos destaques da edição, sendo utilizada em diversas apresentações de artistas e também no encerramento.

A meta a ser atingida era de 30 milhões de reais. No final da maratona, com o objetivo alcançado, foram arrecadados R$ 31.907.108, recorde de arrecadação até aqui. Ao todo, já foram arrecadados mais de 300 milhões de reais em toda a história do Teleton Brasil.

Ao longo de toda a maratona, a fim de conscientizar que, sem as doações do Teleton, a AACD deixaria de atender cerca de 700 pessoas por dia, a apresentadora Luciana Gimenez, devidamente autorizada pela RedeTV!, tentou explicar aos telespectadores o impacto que o valor arrecadado causa nos atendimentos, mas acabou se enrolando nos cálculos, o que não foi ignorado por alguns internautas no Twitter.

Silvia Abravanel, mais uma vez, em sua apresentação, utilizou seu testemunho pela filha deficiente Luana, para transmitir sua mensagem na campanha.

Mesmo o programa Cocoricó não estar sendo produzido pela TV Cultura desde 2015, o personagem Julio não deixou de fazer presença na maratona.

Pelo menos duas (ou três) ausências foram sentidas e noticiadas pela imprensa:

  • Mesmo participando em reportagens de prestação de contas, a jornalista Rachel Sheherazade não compareceu no palco do Teleton alegando estar afastada por motivos de doença;
  • Mesmo convidado e liberado pela RecordTV, o apresentador Augusto "Gugu" Liberato, que esteve no palco do Teleton em 2015 e 2017, recusou estar na maratona, alegando que já tinha um compromisso familiar fora do País. No lugar até foi convidada a apresentadora Xuxa Meneghel, que também esteve no Teleton em 2015 e 2017, mas também não aceitou. No final de contas, foi a repórter e apresentadora Renata Alves incumbida de fazer parte da campanha.

Considerando que, desde 2014 a Rede Bandeirantes não liberava artistas para o Teleton, a participação do apresentador Milton Neves foi um tanto surpreendente, com direito até a doação pessoal dele para a AACD.

A jornalista Joyce Ribeiro, dispensada de forma controversa pelo SBT em 2016, retornou à emissora para participar da maratona, devidamente liberada pela TV Cultura.

Numa postagem que fiz no meu perfil pessoal ressaltei a importância da participação da paciente da AACD, Luara Crystal, como criança símbolo da edição 2018 da maratona, relembrando quando Silvio Santos, por acaso, a carregou (na época, ela tinha 7 anos), pouco depois que entrou no palco, em 2014, gerando um dos momentos mais emblemáticos e impressionantes de toda a história do Teleton, considerando que ela possui a doença dos Ossos de Vidro. Vale a pena dar uma olhada no depoimento sobre ela, mostrando todas as dificuldades e superação dela e de sua mãe.
Vale ressaltar que a Luara já esteve em edições anteriores (pelo menos, em 2013). Infelizmente, o momento não foi citado durante a maratona.

Uma das participações mais marcantes da 21ª edição foi do coordenador de palcos e braço direito de Silvio Santos nos palcos, Liminha, que tinha passado por um susto há poucas semanas, sofrendo uma Paralisia Facial Periférica, gerando forte comoção na ocasião, cujas sequelas ainda eram visíveis durante a maratona (particularmente, ainda bem que ele pode estar no palco e auxiliar Silvio durante sua participação, que está, a cada ano que passa, cada vez mais dependente dele, considerando que o animador, já com idade avançada, já não conduz seus programas com a mesma desenvoltura, estando quase que em piloto automático).

A atriz e cantora mexicana Lucero Hogaza, que participou das edições 2015 e 2017 da maratona brasileira, manifestou-se no Twitter, comemorando a conquista de mais uma edição.
Em seu perfil oficial, ela fez mais de uma postagem apoiando o Teleton Brasil 2018.

Na página do SBT sobre a maratona há uma linha do tempo que, dentre outros vídeos, divulgou trechos inéditos na internet da participação do cantor Gilberto Gil na memorável edição de 2001; além da abertura do Show do Milhão Especial com políticos, de 2002.

Uma das grandes novidades do Teleton foi que, além das já tradicionais doações por ligações ou pela internet, foram introduzidas outras formas de doar, como o SMS (na verdade, este já vem sendo utilizado desde 2016), WhatsApp, clientes da operadora de TV a Cabo NET, app do Bradesco, além do aplicativo PicPlay. Além disso, além dos bonecos Tonzinho e Nina, também introduziram nesta edição a confecção de um livro personalizado de historinhas, para quem doasse 60 reais ou mais.
Em seu perfil do Twitter, a empresa incentivou o compartilhamento (retweet) da mensagem em troca de doar 100 mil reais para a AACD. Quando atingiu o primeiro objetivo, a empresa resolveu dobrar a meta e somou mais de 60 mil reais à doação.

Conclusão

Em resumo, foi uma edição com a intenção de fazer "um Teleton extraordinário" e que, apesar de, mais uma vez, conseguir atingir seus objetivos, foram cometidos excessos que são inaceitáveis em uma campanha beneficente, como a promoção política (aliada ao momento pós-eleições, que ainda gerava muita comoção pelos eleitores, o que acabou respingando e gerando atos que até então eram inacreditáveis, como tentativas de boicote e discursos de ódio). O casamento promovido no palco acabou funcionando melhor que o Roda a Roda Especial realizado no ano anterior, refletindo na audiência e na comoção dos envolvidos. A audiência, aliás, apesar de ter sido afetada pelo final do folhetim global e de vários altos e baixos que não ocorreram na edição anterior, conseguiu a melhor média desde 2003 e atingiu a liderança em vários horários (algo que já tinha acontecido no ano anterior onde o animador Silvio Santos exaltou o feito ao vivo, sendo que, por sua vez, o mesmo minimizou o fato este ano em seu discurso de despedida).

Entretanto, quero fazer uma ressalva à direção de Michael Ukstin, já há mias de 10 anos comandando o programa onde, apesar do crescimento de mobilização de artistas e empresas, ainda entrega um formato pobre, cômodo e um tanto ultrapassado, que não faz jus à grandiosidade da causa, promovendo demais o SBT e que impede uma comoção maior e crescimento da causa (criticado pelos jornalistas Guilherme Beraldo e Ricardo Feltrin), que poderiam fazer o Teleton brasileiro crescer e talvez chegar ao nível da versão Chilena, comandada pelo apresentador Don Francisco. Será que mudanças mais drásticas só serão feitas após Silvio Santos morrer? Particularmente já etá na hora de mudar a direção da maratona a fim de garantir que o evento possa respirar e rebater as justas críticas já feitas há muitos anos e, quem sabe em breve o Teleton possa se tornar de fato, um evento extraordinário.

Segue abaixo links de sites que complementam a leitura:


No mais, agradeço pelo tempo e atenção. Até a próxima.

26 de outubro de 2015

Análise: Teleton Brasil 2015

Logo do Teleton Brasil 2015

Deixando de lado um pouco os artigos sobre tecnologia, que costumo divulgar aqui no blog (já estou preparando vários artigos que serão divulgados em breve), hoje eu gostaria de fazer uma análise sobre o Teleton, a famosa maratona televisiva promovida pelo SBT todos os anos, em prol à AACD, entidade sem fins lucrativos que presta assistência a pessoas com deficiências físicas, que neste ano celebrou sua 18ª edição, e que chegou à maioridade com várias novidades e muitas surpresas, alcançando o expressivo valor de mais de 31 milhões de reais (quando a meta era de 26).

Breve histórico

Primeiramente, esta modalidade de captação de recursos começou ainda nos anos 60, com Jerry Lewis e seu filho com necessidades especiais, lá nos Estados Unidos, e logo vários países passaram a produzir suas próprias maratonas. Aqui no Brasil, os direitos foram adquiridos ainda no final dos anos 80 pela AACD e apresentados à finada Hebe Camargo, que gostou da ideia, e convenceu o famoso empresário e apresentador Silvio Santos a ceder sua emissora para promover o Teleton. E assim, em 16 de maio de 1998, ia ao ar a primeira edição do Teleton Brasil, que se propunha a criar uma "Rede da Amizade", buscando reunir os principais meios de comunicação, os empresários e os telespectadores a se sensibilizar pela nobre causa e ajudar a manter o projeto de uma entidade que sempre se mostrou idônea, transparente e disposta a ajudar àqueles que mais precisam e que nem sempre tem condições de pagar um tratamento (que, dependendo dos casos, chega a ser complexo), e que completou 65 anos em 2015. A cada ano que passa, o projeto cresce cada vez mais, onde mais empresas abraçam a causa e sensibiliza de uma forma mais expressiva a atenção das emissoras concorrentes (apesar que, particularmente, ainda está longe do ideal, mas a realidade já foi muito pior). Também gostaria de ressaltar que, este programa é bastante importante, pelo fato de que, há mais de 10 anos, ser o único dia do ano que Senor Abravanel dá as caras AO VIVO na emissora, sendo repleto de ansiedade e de momentos marcantes e históricos todo ano.
Silvio Santos, na abertura da primeira edição do Teleton Brasil, em 1998.

Campanha

Neste ano de 2015, o Teleton veio com uma roupagem diferenciada, trazendo uma nova campanha (a música composta pela dupla Victor & Léo, com o slogan "Fazer o bem é (muito / sempre) bom", norteado pela temática "Gratidão"), um novo cenário (minimalista, mas bastante atraente, com tons de rosa, um telão grande no fundo; e na frente, um telão menor, que mostra o logo do programa e VTs, quando era necessário, em contrapartida ao cenário carregado e com predominância da cor preta que permaneceu nas últimas 4 edições), e uma grande conquista: mais de 200 artistas (dentre eles, uma participação internacional, que falarei mais adiante - o estranho é que há sites que estão falando em 120 artistas), um recorde, entre cantores, personalidades, jornalistas e apresentadores - alguns de outras emissoras de televisão; fora o bom número de empresas e pessoas que apoiaram o projeto neste ano. Em contrapartida, também foi um ano de muito pesar e expectativa, já que a AACD precisava mais do que nunca do dinheiro arrecadado, já que, com a crise política e econômica, ela foi obrigada a fechar 2 unidades em São Paulo (das 5 existentes no estado, fora as outras unidades em 7 estados, totalizando 16), que foram conquistadas com muito esforço e dedicação pelas campanhas anteriores e perdida por falta de apoio, sobretudo do Governo, que não repassa o que deveria à entidade.
Estúdio onde aconteceu o Teleton Brasil 2015 (Note que, atrás do telão que mostra a logomarca, há um outro telão, que exibia imagens e transições, dependendo da ocasião).

Abertura

Este ano, começando meia hora mais cedo que de costume, teve um detalhe que me incomodou logo de cara: a ausência do tradicional discurso de abertura de Silvio Santos. Tudo bem que, dos tempos para cá, ele já estava relaxando um pouco neste detalhe, já que, nos últimos 3 anos, sempre fazia discursos curtos e falava praticamente as mesmas coisas - fora o fato de que, no ano de 2014, ele já não gravou sua mensagem no estúdio do Teleton, mas sim no  seu próprio programa, um dia antes do início da maratona. Infelizmente, daqui por diante, teremos que nos acostumar com a ideia de o Homem do Baú não fazer mais a abertura da maratona, apesar da saudade de recordar certas edições do Teleton que "seu Senor" ficava mais de uma hora deixando sua mensagem e apresentando algumas histórias de vida ainda durante as noites de Sexta-feira. Em compensação, foi exibido um trecho do marcante discurso de Silvio Santos durante o emblemático programa Gol Show, de 17/05/1998, que oficialmente é atribuído o primeiro milhão de reais da emissora, dado naquela noite especial.

Com isso, a 18ª edição da maratona televisiva teve seu início, com os padrinhos da campanha, o cantor Daniel (já livre do vínculo formal com a RGT, que chegou a não liberá-lo para o Teleton em 2012) e a apresentadora Eliana (que representa com dedicação o legado de Hebe), além da dupla Victor & Léo e a cantora Ivete Sangalo. E assim, o primeiro momento histórico da maratona aconteceu: a aparição da apresentadora Xuxa Meneghel. A ex-global e atualmente contratada da Rede Record fez uma grande participação, cantando algumas de suas músicas de sucesso, interagindo com os apresentadores no palco e convidados, ficando mais de uma hora no palco, sensibilizando o público com sua alegria e suas intervenções. Particularmente, foi algo totalmente diferente assisti-la na tela do SBT; me simpatizando bastante com sua pessoa, apesar de alguns exageros, ao ressaltar que agora pode falar, e também ressaltando que quase que não a liberaram (fazendo parte do processo de experiência de liberdade que ela não tinha há 30 anos - e, de certa forma, nem está tendo na Record, por causa das restrições ideológicas e religiosas da emissora). E pensar que este e outros momentos quase não aconteceram...

Para se ter uma ideia, nos últimos dois meses, não só a Record como também a Rede Bandeirantes cismaram em não liberar nenhum artista de seus respectivos casts para esta causa tão nobre, atribuindo a culpa ao humorista e apresentador Danilo Gentilli, ex-contratado da Band e integrante do cast do SBT há quase 2 anos, conduzindo com sua turma o talk show "The Noite", nos fins de noites do SBT. Ambos alegaram que ele andou fazendo piadas ácidas e muito incisivas às respectivas emissoras, o que deixou a direção destas nervosas e com um pé atrás, o que é compreensível, já que Danilo costuma alfinetar sua antiga casa e fazer tiradas com audiência (a estreia da Xuxa na Record é só um exemplo). Olha que a Xuxa já tinha sido autorizada com antecedência para ir ao Teleton, mas sua participação acabou sendo suspensa, deixando uma certa tensão no ar (apesar que César Filho tenha negado que tinha sido vetado, afirmando que nada estava certo). Mas o que poderia ter resultado em grandes baixas para o evento, teve uma reviravolta interessante em 18 de outubro, o domingo próximo ao evento, quando mais uma edição do Programa Silvio Santos foi ao ar.

No clássico quadro "Não erre a letra" (herdado do antigo programa "Qual é a Música"), que teve a participação de Gentilli e sua equipe, além de Carlos Massa, o Ratinho, e sua turma, Silvio Santos aproveitou a ocasião para questionar a decisão da Record e da Band, onde Danilo se defendeu, assim como "seu Senor" também o absolveu, afirmando "que era desculpa deles para não ir ao Teleton". Na oportunidade, Ratinho também opinou e afirmou que, se tivesse oportunidade de ir ao Criança Esperança (projeto da Globo e da UNESCO que reverte fundos para entidades que atendem crianças carentes - e que, por sinal, desejou boa sorte ao Teleton, retribuindo o gesto feito anteriormente), ele iria, condenando a atitude dos diretores das emissoras. Quando assisti o quadro, fiquei eufórico e animado com as proporções que a crítica do Patrão poderia causar. E não foi para menos. Foi só isto acontecer que a Record logo voltou atrás de sua decisão e liberou não só a Xuxa, mas de quebra, outros 3 artistas de peso: César Filho (que havia trocado o SBT pela Record meses atrás), Luiz Bacci (jornalista que ficou muitos anos no SBT e que cresceu muito na Record, onde atualmente é apresentador de programas jornalísticos e policialescos) e, pasmem, ninguém menos que Augusto Liberato, mais conhecido como Gugu (antigo pupilo de Silvio Santos, que ficou quase 30 anos no SBT e teve 2 passagens na Record, desde 2009, e por isto, já estava há 7 anos sem ir ao Teleton). Até onde sei, a Band não se pronunciou oficialmente (apesar de o jornalista Flávio Ricco ter dito, em sua coluna no portal UOL, que ela poderia liberar algum artista do programa CQC), mas foi "redimida" pelo Silvio Santos (falarei isto mais adiante), o mesmo que criticou a emissora do Morumbi de deixá-lo direto no Top Five e não ajudar na maratona.

Curiosidades

Algumas coisas me chamaram bastante a atenção. Uma delas foi a forma de como se sucedeu a arrecadação: além do fato de ter sido introduzido a doação por SMS, me surpreendeu o fato de, com menos de 2 horas de programa, o placar já registrava mais de 2 milhões de reais (posso estar errado, mas até onde eu me lembre, além disto ter sido algo inédito, teve edições que se alcançava este valor só na tarde de sábado). Além disso, quero ressaltar que a arrecadação ocorreu de uma forma que superou todas as minas expectativas, com os cheques sendo "diluídos" durante o programa (o que pode ter sido uma bela estratégia, já que geralmente estas doações se concentrarem no momento da consolidada "Tropa dos Cheques"). Vale ressaltar ainda  a quantidade de cheques de cerca de 200 mil e 1 milhão de reais (falo isto sem a intenção de criticar os valores doados, pois, como Silvio Santos diz - e tomo as palavras dele como minhas - "se doar qualquer valor já ajuda bastante"). Também ressalto a falta de direção de câmeras, onde os artistas erravam diversas vezes a câmera que deveriam olhar, salvo poucas exceções - nem o Silvio escapou dessa.

As participações que acompanhei e que me chamaram a atenção foram: o Luis Ricardo (um dos que fizeram o palhaço Bozo e, atualmente, apresentador), bastante comovido - tendo em vista seu acidente no Programa do Ratinho em dezembro de 2014, e César Filho, que pisou em sua antiga emissora após meses; a animação da Christina Rocha; as críticas incisivas feitas por Raul Gil; a participação (que eu não esperava) de Adriane Galisteu, que interagiu bastante com o cantor Eduardo Costa; a história dobradinha de Ratinho e Gugu (onde um agradeceu o outro, lembrando da época que o loiro trouxe o Ratinho ao primeiro Teleton, quando este ainda era contratado da Record; além de recordar episódios, quando o Gugu visitou o então programa "Ratinho Livre" e tentaram hipnotizar uma galinha, trecho disponível na internet - e pensar que estes dois se concorriam até algumas semanas atrás... o que uma causa tão nobre não faz...); um Celso Portiolli elegante; o Ronnie Von (famoso cantor e atualmente apresentador do programa "Todo Seu", na Rede Gazeta); além da intervenção dos jornalistas do SBT que, numa ordem pré-definida, iam ao palco da maratona para prestar contas do trabalho da AACD - a que me me sensibilizou mais foi a jornalista Flávia Travassos, que sofreu um AVC em Novembro do ano passado e contou, numa reportagem especial, sua trajetória e seus desafios.

Como de costume, no palco do Teleton passam vários artistas, cantores, que fazem seu trabalho e deixam sua mensagem ao povo. Mas uma participação estelar marcou o Teleton: a atriz e cantora mexicana Lucero Hogaza. Prevista para vir às 8 da noite de sábado (mas só veio mesmo era quase às 10), ela mostrou toda sua simpatia e sua experiência, legado vindo dos 15 anos que ela comandou a versão da maratona televisiva lá em seu país natal e nos Estados Unidos. Muito bem recebida por Eliana, Daniel e convidados, ela cantou suas músicas famosas - as temas das novelas "Por Ela Sou Eva" e "A Dona" (a versão atribuída pelo SBT, não a música original); fez seu apelo, mostrando-se dedicada pela causa, exibindo um belo domínio de português (para quem teve apenas 8 horas de aulas, segundo a revelação dada por ela em sua participação no programa "Domingo Legal", do Portiolli, exibido no dia seguinte ao Teleton). Além disso, a reportagem mostrando seu histórico antes de sua entrada foi muito interessante (e inesperado).
Lucero (à dir.), em sua participação no Teleton Brasil 2015, com a apresentadora Eliana (à esq.) e o cantor Daniel (no centro)


Antes de prosseguir, aproveito para ressaltar que não gostei de que a aparição do publicitário Felipe Ventura, o famoso "Felipinho", responsável pela campanha "Corrente do Bem", ter sido antes da entrada de Silvio Santos, já que todo ano ele mostra seus (ascendentes) resultados com o "Patrão" no palco. Neste ano ele arrecadou 200 mil reais com o projeto de cofrinhos pelos principais colégios do Brasil, fora os 75 mil arrecadados entre sua família.

Encerramento

E então, como de costume, por volta das 11 da Noite, num momento que todos que seguem seu trabalho esperam ansiosamente, que faz valer a pela acompanhar o Teleton, Silvio Santos aparece no palco para o encerramento do programa, bastante ovacionado pelo auditório, que gritava seu nome, e como sempre, cercado de muitas expectativas. E olha que o "velho" está a cada ano mais imprevisível.

Para se ter uma ideia, o comunicador de quase 85 anos já chegou dispensando todo mundo, não sem antes fazer suas criativas tiradas com Eliana (que se separou recentemente) e Daniel; de cumprimentar a jornalista Neila Medeiros (que esteve em evidência graças ao episódio do fracassado SBT Notícias) e de ter um (re)encontro surpreendente com Lucero (a minha expectativa para que isto acontecesse era grande, e de fato, aconteceu - vale ressaltar que alguns sites, dentre eles, o próprio SBT, afirmam que os dois já se encontraram em 1986, durante o famoso programa "Show de Calouros", onde a atriz estava em evidência graças ao sucesso da novela "Chispita" - trecho que eu gostaria muito de ver, mas infelizmente, não se acha na internet), mostrando um inesperado portunhol, repleto de elogios entre ambas as partes, onde Lucero demonstrou se lembrar dele, o que não se pode dizer o mesmo (era de se esperar) de Silvio.



Particularmente achei um erro ter dispensado os artistas que estavam no palco, o que poderia ter evitado um certo tédio de Silvio (provavelmente, parece que, desde a morte de Hebe, ele anda entediado e chato de lidar - considerando que, desde então, ele passou a conduzir o programa com seus familiares), o que sempre me deixa com medo dele terminar a maratona mais cedo do que eu gostaria. Ele poderia realizar mais interações do que ele fez (o que foi um trunfo na edição de 2014, onde ele contracenou com Eliana, Ratinho e Portiolli).

E assim o "Show dos Abravanel" começou. Silvio Santos iniciou contando (lendo pelo Teleprompter - como ele mesmo ressaltou) uma de suas histórias de costume, mostrando que, se ajudarmos hoje, podemos multiplicar nosso gesto; e também ressaltar a importância dos 5 reais, como faz todo ano (considerando que o Teleton ainda é uma das únicas campanhas que aceitam esta quantia, que, convenhamos, já se desvalorizou demais desde 1998, quando a maratona da solidariedade começou, mas ainda traz seus resultados, sendo um dos grandes trunfos da maratona). Ele também aproveitou e exibiu uma reportagem do "Jornal da Band", da emissora homônima, relatando a crise que levou o fechamento de 2 unidades da AACD. Realmente, como disse antes, isto, na minha opinião, redimiu um pouco a imagem da Bandeirantes, mas o curioso é que poderia ter sido exibida uma reportagem do próprio SBT ao invés de uma emissora concorrente.


Uma das coisas que achei mais questionável foi a atitude de inserir VTs de sua filha Número 3, a apresentadora Patrícia Abravanel, em suas performances (onde uma delas, a da Whoopi Goldberg, causou até polêmica; onde nem a transformação em Xuxa escapou) em seu programa), o "Máquina da Fama". Foi um gesto desnecessário, dando a sensação de que foi feito para aproveitar a audiência do Teleton e promover ainda mais sua filha (que nem precisava disso, já que anda ganhando diversas vezes na audiência contra o programa da Xuxa), além do próprio SBT (indo contra o ideal da maratona ser um evento de todos - apesar de que, alguns comentários levantaram a possibilidade de que, pelo menos nesta 18ª edição, ele não tivesse muita escolha, tendo que dar seu jeito para prolongar o show, o que é compreensível, mas não justificável); e também o diretor do programa,  Michael Ukstin (que também é diretor geral do Teleton desde 2011), sendo elogiado, para se ter uma ideia, pelo menos umas 7 vezes (o que foi muito hilário e irritante de se ver). Tanto é que, na última vez, ao repetir que o programa da filha é o mais bem produzido do SBT, num gesto convencido, Patrícia falou que era o mais bonito não só do SBT, mas da TV brasileira, o que (ainda bem) foi prontamente repreendida pelo pai.

Também houve a participação do neto de Silvio, filho da Cíntia (Filha Nº 1, fruto do primeiro casamento de Silvio com sua falecida esposa Aparecida), Thiago Abravanel, que sempre demonstra ser um artista versátil, (que despontou com um espetáculo sobre o cantor Tim Maia, e atualmente trabalha na RGT, sempre sendo liberado para participar com o avô, de alguns anos para cá. Talentoso, contracenou muito bem com sua família. Num determinado momento, ele leu, da bancada dos internautas, um comentário das redes sociais, onde um usuário bajulava Silvio, chamando-o de "rei da televisão brasileira", deixando o "velho" desconcertado. Thiago cantou 4 músicas (provavelmente mais que qualquer artista que passou pelo palco, várias delas a pedido de Silvio). Num dos momentos mais marcantes, fez um dueto com sua tia Patrícia.

Como sempre, Silvio faz cada comentário que ninguém espera. Na hora da doação da famosa marca de fraldas, foi revivido o icônico momento protagonizado na edição anterior da maratona, onde o "Patrão" retrata seu problema de incontinência urinária, tirando boas risadas do público. Também achei incrível a indireta (bastante direta) que Silvio dirigiu à Xuxa, criticando sua postura de não ser ela mesma e se basear na apresentadora americana Ellen DeGeneres (no qual ele acabou chamado de "homem americano", dividindo opiniões na internet e sendo retrucado pela apresentadora em seu programa - bem, particularmente, não dá para negar que soou preconceituoso, mas creio que a intenção de Silvio foi de dizer que Xuxa estava perdendo sua identidade).

No ápice da maratona televisiva, aconteceu o momento que julgo o mais "WTF" de todos. Como é possível o Silvio Santos ser tão anticlímax! Tudo bem que ele já estava de saco cheio e queria encerrar o programa logo, mas foi indignante o que ele fez. Ao invés de fazer o suspense que deixa telespectadores como eu ansiosos, ele, numa falta de atenção, divulgou os cheques numa rapidez que ele nem percebeu quando a meta tinha acabado de ser alcançada. A questão é que, imediatamente após isto, ainda tinha o grande cheque de mais de 4 milhões da marca de cartões (que sempre traz ótimos valores a cada ano) para ser divulgado (logo em seguida, Silvio até ressaltou que estava surpreso com a conquista, afirmando que ele via os empresários que frequentam o Salão de Beleza do cabeleireiro Jassa estavam reclamando da crise). E olha que o Teleton ainda ficou mais de uma hora no ar depois deste grande momento.



A pressa de Silvio Santos se tornou em interesse ao chamar o mágico Gustavo Vierini para fazer alguns números (e olha que já era mais de 1 da manhã). E o ilusionista não decepcionou: conseguiu entreter a todos fazendo seu número de entortar garfos, de mensagens no envelope e de fazer neves com papel, sem esquecer da temática da maratona, recebendo elogios (mais que merecidos) do "Patrão".
O mágico Gustavo Vierini fazendo suas mágicas com Silvio Santos, Patrícia Abravanel e Thiago Abravanel, no palco do Teleton Brasil 2015.

Depois ainda entrou o jornalista e radialista Joseval Peixoto, que foi o último a prestar as contas da AACD junto com Silvio no palco (num momento curioso onde Joseval nem tinha entrado e a reportagem já estava no ar, fazendo com que Silvio interrompesse a matéria).

Enfim, após mais de 27 horas de maratona, a missão foi cumprida com louvor, até melhor que o esperado, sendo encerrada por volta das 1:50 da manhã.

Conclusão

Para concluir esta longa análise, quero ressaltar que, mesmo com as dificuldades econômicas e financeiras, foi mostrado um Teleton consolidado, com a boa vontade do povo brasileiro, que não deixou de contribuir para esta causa tão justa; pelas empresas que não desanimaram e trouxeram bons frutos, e com a dedicação do SBT, dos artistas e das outras emissoras que se uniram para levar até a nós, telespectadores, um show inesquecível e um belo legado para as próximas edições. Parece que aquele sonho de Silvio de unir todos os poderosos da comunicação está a cada ano se consolidando cada vez mais.

Qualquer erro ou sugestão não deixe de comentar. Muito obrigado pela atenção e até a próxima.

Última atualização: 01/11/2015